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Terra de rara beleza, onde o granito e a força humana desempenham o papel principal, "Monte Santo" é o carismático baluarte da fronteira do Erges, tão valoroso que se dizia que "Quem conquista Monsanto, conquista o mundo". Do seu passado prevalecem curiosas lendas e narrativas ligadas a invasões e assaltos à povoação. Logo à entrada, a Santa de pedra, dá-nos as boas-vindas à vila. Prosseguimos por um constante vertiginoso ziguezague em que as ruas estreitas deixam-nos antever deslumbrantes obras de arquitectura natural.
Relembramos então, Saramago que em visita a Monsanto afirmou "Devemos entender o que há de pedra nas pessoas, descobrir o que das pessoas, descobrir o que das pessoas passou à pedra". Pela sua autenticidade, foi considerada (através de concurso) pelo Secretariado Nacional de Informação, em 1938, a aldeia mais portuguesa de Portugal com a atribuição do galo de prata, cuja réplica os Monsantinos exibem, orgulhosamente, no topo da Torre de Lucano. Actualmente, pelo rigor da conservação e exotismo dos seus recantos merece a designação de aldeia histórica.
Monsanto é uma vila repleta de usos e costumes com forte carga simbólica, conforme podemos analisar através do seu artesanato (exº Marafona) e pelas tradições populares. Não perca a oportunidade de conversar com os Monsantinos sobre as suas lendas e tradições, que de certo ficará encantado com o que ouvir.
A grandiosa festa do Castelo ou das cruzes celebra-se no dia 3 de Maio (à excepção se este dia ocorre durante a semana, a festa transita para o domingo seguinte) e é aparentemente enraizada numa tradição pagã, mantendo-se o tradicional lançamento da bezerra e dos potes de barro caiados de branco, ornamentados com lindas flores silvestres simbolizando a lenda do cerco do castelo .
Em tempos que já lá vão, após um prolongado cerco a Monsanto, os seus defensores desesperavam de se livrar do inimigo e encaravam com tristeza e mágoa a humilhação de uma próxima rendição pela fome. Da grande quantidade de viveres com que se haviam refugiado no Castelo restava apenas uma bezerra e uma Quarta de trigo. Foi então que uma mulher idosa se lembrou de dar o trigo à bezerra e de atirar do alto do cabeço aos sitiantes que no fundo da encosta esperavam a hora da rendição dos valentes defensores de Monsanto. A vitela ao rebentar lá em baixo pode mostrar o trigo com que a haviam alimentado, dando a ideia de que a praça se não entregaria pela fome. Enganando por este estratagema, o chefe inimigo manda levantar o cerco deixando os monsantinos em paz. Para comemorar este facto ainda hoje os rapazes e as raparigas de Monsanto, envergando fatos antigos, sobem ao Castelo acompanhados de muito povo, cantando e dançando ao som do harmónio e dos adufes e glorificando a Divina Santa Cruz. Das suas muralhas lançam um pote de barro, caiado de branco e enfeitado de flores, símbolo de bezerra dos seus antepassados. Também nesse dia as raparigas levam nas mãos bonecas feitas de trapos, as "marafonas" vestidas à moda antiga. Simbolizam para uns as mulheres de Monsanto dançando e cantando após a libertação do cerco e para outros as reminiscências de um culto pagão muito antigo. Esta festa realiza-se no dia de Santa Cruz (3 de Maio) se for domingo, ou no Domingo seguinte em caso contrário.
A freguesia de Monsanto pertencem os lugares de Adinjeiro, Carroqueiro, Lagar Maria Martins, Lagar d'Água, Lagar de Junho, Torre, Relva, Devesa, Carriçal, Afonso Enes, Carro Quebrado, Sidral, Monsantela, Valado, Barreiro, Eugénia, Fonte Carvalho, Amial e Pomar. Todos estes locais são únicos e com um encanto muito especial. Uma vez por perto não deixe de os visitar pois há locais por onde se passam e outros onde se vai.
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